A Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa manifesta, com profunda consternação e pesar, o seu mais sentido pesar pelo falecimento da Professora Filipa Duarte-Ramos.
A Filipa era, para todos nós, muito mais do que uma colega. Era uma presença luminosa, marcada por uma humanidade rara, um sorriso constante e uma disponibilidade genuína para apoiar quem a rodeava. A sua forma de estar, próxima, generosa e construtiva, deixou uma marca indelével em todos os que tiveram o privilégio de com ela conviver.
Mesmo nos momentos mais difíceis da doença, manteve sempre uma atitude de coragem e esperança, que a própria descrevia como uma forma de “contrariar as estatísticas”. E, de facto, a Filipa foi exemplo vivo de que acreditar e lutar faz a diferença. A sua força, serenidade e dignidade perante a adversidade permanecerão como inspiração para todos nós. Mas nenhuma luta, por mais extraordinária que seja, vence a inevitabilidade da condição humana. E esta foi, para todos os que a amavam, uma luta demasiado curta. A sua partida deixa um vazio impossível de preencher.
A maior perda é, sem dúvida, da sua família, a quem endereçamos a nossa mais profunda solidariedade. É também uma perda imensa para os seus amigos. Mas é igualmente uma perda profunda para toda a comunidade académica: para os colegas que tanto a estimavam e que contavam com o seu saber, a sua experiência e a sua atitude sempre construtiva para fazer avançar a educação e a investigação.
A Filipa dedicou grande parte da sua vida à Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, onde iniciou a sua carreira como docente na área da Farmacologia, vindo posteriormente a centrar a sua atividade na Farmacoepidemiologia e na Saúde Pública. Ensinava desde 2001 e era Professora Auxiliar desde 2012. Doutorada em Farmacoepidemiologia, desenvolveu uma carreira de excelência centrada na compreensão dos determinantes da saúde e dos efeitos do uso de medicamentos nas populações, com especial atenção a grupos e contextos vulneráveis. Foi uma investigadora ativa e reconhecida, colaborando com redes europeias como o ENCePP da Agência Europeia do Medicamento e co-coordenando o Observatório Português dos Sistemas de Saúde. Foi também investigadora associada do imed.Ulisboa e integrou o Laboratório de Saúde Pública e Utilização de Medicamentos, onde contribuiu de forma marcante para o avanço do conhecimento científico e para a formação de novas gerações de investigadores. Contudo, para além do seu percurso científico e académico notável, aquilo que mais a distingue é o impacto humano e pedagógico que teve. Foi uma professora profundamente querida pelos estudantes de Ciências Farmacêuticas. Ao longo de mais de duas décadas, marcou centenas de estudantes, num número impossível de contabilizar com rigor. Muitos deles vieram, mais tarde, a tornar-se seus colegas, tendo o privilégio de trabalhar ao seu lado e de integrar equipas que beneficiaram do seu rigor, da sua inteligência e da sua generosidade.
Hoje, despedimo-nos de uma pessoa excecional, cuja memória permanecerá viva em cada sala de aula, em cada projeto, em cada estudante e colega que tocou.
À família, amigos e a todos os que partilham esta dor, a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa apresenta as suas mais sinceras condolências. A Filipa não será esquecida.
