Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas

Comunicação em Cuidados de Saúde

ECTS

4

Objetivos

É obrigação profissional dos farmacêuticos garantir que as tecnologias de saúde sejam de qualidade, seguras e eficazes, em particular os medicamentos. Embora os detentores de AIM e as autoridades de saúde dediquem toda a sua atenção a estas questões, hoje é plenamente reconhecida a importância da utilização em mundo real, i.e., a forma como as tecnologias são efetivamente usadas pelos cidadãos (OMS/FIP, 2014; INFARMED/OF, 2014). A utilização otimizada de qualquer tecnologia de saúde no mundo real depende em larga medida dos atores envolvidos na sua utilização (FIP Edu, 2012).
A Comunicação em Cuidados de Saúde diz respeito a um conjunto de competências essenciais para a profissão farmacêutica, em especial no contato com utilizadores de produtos de saúde. A todo o momento existem interações humanas e fluxos de informação, nos quais se devem garantir as propriedades adequadas, a conservação do conteúdo e a sua intencionalidade. Isso só é possível quando existe um correto domínio de competências de comunicação efetiva, essenciais para exercer qualquer profissão de saúde (EACH, 2014). No caso dos farmacêuticos, essas competências vão para além do dever relativo à informação sobre medicamentos (DL nº 307/2007), sendo cada vez mais relativas ao contributo efetivo para o comportamento de cada cidadão em função do seu estado de saúde (ex. prevenção, através da vacinação) ou doença (ex. tratamento, por adesão à terapêutica).
Assim, no final da UC espera-se que os estudantes conheçam os principais modelos de comunicação humana em cuidados de saúde e que dominem os princípios e as ferramentas de interação clínica. O estudante deve ser capaz não só de transmitir informação válida com sucesso, mas principalmente de estabelecer uma relação clínica com o doente e/ou cuidador, consciente que estas competências tão importantes para a prestação de cuidados de saúde quanto o corpo de evidência biomédica disponível.
As competências de comunicação emparelham-se com todas as atividades do ato farmacêutico (Artº 6º do Código Deontológico Da Ordem Dos Farmacêuticos), em particular com:

  • Informação e consulta sobre medicamentos de uso humano e veterinário e sobre dispositivos médicos, sujeitos e não sujeitos a prescrição médica, junto de profissionais de saúde e de doentes, de modo a promover a sua correta utilização;
  • Acompanhamento, vigilância e controlo da distribuição, dispensa e utilização de medicamentos de uso humano e veterinário e de dispositivos médicos.

Conteúdos programáticos

1. Competências para a Comunicação Clínica
1.1. Natureza e importância da comunicação efetiva: interação humana, objetivos, necessidades, personalidade e motivação, valores, experiência prévia, expectativas, a agenda oculta, autoimagem, primeiras impressões, fatores sociais, influências organizacionais.
1.2. Comunicação verbal e não-verbal: saber ouvir, questionar, explorar, incentivar, observação inteligente, gestão da índices e divergência, ecoar/espelhar, ambiente físico.
1.3. Habilidades de comunicação clínica efetiva: foco, explicar, verificar, saber cuidar de outros.
1.4. Comunicação em situações difíceis: emoções fortes, patologias (dor, doenças mentais, cancro, HIV/SIDA), stress/crise pessoal, diversidade cultural (língua, espiritualidade), segurança e risco (casos terminais, morte), confidencialidade (sexualidade).
1.5. Comunicação em lato senso: escrita e regras de linguagem simples, relações publicas, media, comunicação em equipa.

2. Competências para a Interação em Farmácia
2.1. Comunicação e profissionalismo: responsabilidades, perceções e partilha de significados, confirmação e reforço (feedback, teach-back), apoio e parceria.
2.3. Literacia em saúde e comportamento: conhecimentos, identidade, crenças, papel da terapêutica. (medicamentos e dispositivos).
2.3. Entrevista com o doente adulto: definições, objetivos, sessão informativa, sessão de aconselhamento individualizado (1ª dispensa, gestão da medicação), materiais e recursos (ajudas educacionais), situações especificas (idoso, cuidador informal), entrevista telefónica.
2.4. Entrevista com o doente pediátrico (e os pais): comunicação centrada na pessoa, níveis de desenvolvimento cognitivo, interação com crianças pré-escolar e escolar (pré e adolescentes).
2.5. Entrevista motivacional: princípios básicos, objetivos e planeamento, feedback e monitorização, suporte social, comparação de comportamentos, associações benéficas, repetição e substituição, comparação de consequências/desfechos, sistemas de recompensa, auto persuasão.

Partilhar